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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Amor ao próximo move Agentes de Saúde.

 

Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC


O salário, para alguns, é simbólico. Para outros, necessidade. Aposentados, donas de casa, ex-cabeleireiros, secretários ou esportistas.

Os agentes comunitários de saúde representam o elo com a assistência médica gratuita do bairro, oferecida na Unidade de Saúde da Família. Eles precisam ter segundo grau completo, residir no bairro e ser maior de idade.


Na prática, o papel do agente vai muito além de promover a saúde da população. Tornam-se confidentes, compartilham perdas e alegrias e muitas vezes, abdicam de estar com sua própria família para ajudar outras, incansavelmente, debaixo de sol ou chuva.

Muitas vezes o interesse pela profissão, que foi regulamentada em 2002, acontece motivado pelos laços estreitos entre agente e comunidade. Conhecer minimamente os moradores passa a ser fundamental, já que o sucesso das abordagens depende da relação de confiança. Embora seja mais difícil, há quem ofereça resistência em aceitar ajuda.


Em suas pesadas bolsas à tiracolo carregam, entre outras coisas, o importante dever de identificar situações de risco, pacientes que necessitam de medicações, orientar sobre prevenção de doenças, realizar mapeamento das famílias de sua micro área e verificar a necessidade da visita do médico generalista do Programa Saúde da Família.

Segundo o Ministério da Saúde, entram na lista de prioridades gestantes, crianças, idosos, doentes crônicos, hipertensos e diabéticos, além de pessoas com transtornos mentais.


O Diário acompanhou o trabalho de três agentes de saúde da região. João Batista da Silva, 61 anos, foi inspetor de qualidade de multinacional por anos. Em 2007, resolveu se inscrever no programa e foi selecionado para trabalhar na USF da Vila Valparaíso, em Santo André. Hoje é o agente com maior número de famílias cadastradas da unidade: 239. Por dia ele visita de 10 a 15 casas. De sua área, apenas em duas nunca conseguiu contato. São até cinco quilômetros de caminhada por dia. A garrafa de água é dispensável apenas por um motivo. "Dá vontade de ir ao banheiro", brinca.


Ativo, ainda dá aulas de capoeira para crianças no Parque Escola. "Se parar eu travo. Não tenho paciência para ficar em casa." Silva sempre foi íntimo de sua comunidade por realizar atividades na igreja vizinha ao bairro. "Já fazia quase o mesmo trabalho de graça. Ganhando é melhor ainda. Não sobrevivo do salário de agente. Trabalho por prazer", disse, entre um aceno e outro, dividindo atenções com os moradores.

Depois de anotar em seu caderno os detalhes de cada visita, os profissionais do posto e agentes discutem em reuniões quinzenais a necessidade de visita domiciliar do médico da unidade. Os casos mais delicados exigem acompanhamento semanal.

Pacientes valorizam trabalho realizado 

Maria Lúcia Pupo, 53 anos, é agente de saúde há dois anos e quatro meses na mesma unidade de Santo André, na Vila Valparaíso. Ainda jovem, fez curso de instrumentação cirúrgica, mas depois mudou de ramo e atuou como analista de crédito. Hoje, é responsável por monitorar a saúde de 209 famílias, cujas informações constam no caderno levado em punho oito horas por dia.

Uma das casas é a de Maria Angela Glingani, 59. Seu marido, que tem 62 anos, vive há 17 com a doença de huntington, raro distúrbio neurológico e degenerativo que compromete movimentos e habilidades mentais. Sem o acompanhamento da agente e do posto de saúde, a dona de casa confessa que seria ainda mais difícil lidar com a doença.

"É um anjo que caiu do céu. Somos super bem cuidados e é tudo de imediato. Tudo que preciso para ele, peço a ela." As medicações, que são controladas, necessitam ser monitoradas semanalmente. No fim da visita, Maria Angela pergunta sobre os remédios que controlam sua pressão. Para ela, a agente é praticamente integrante da família.

É comum existir cobranças quando aumenta o espaço entre uma visita e outra. O assédio, às vezes, resulta em falta de privacidade, o que não chega a ser problema. "Um dia fui fazer a unha e logo veio uma paciente dizer que seu remédio tinha acabado. É normal encontrar pela rua ou no mercado. Sempre digo: segunda-feira eu retorno. Não posso deixar de atender. Estamos sempre dispostos a ajudar", disse Maria Lúcia.

Dos pacientes cadastrados pela agente, pelo menos 70% são idosos, cinco são gestantes, três estão acamados e quatro debilitados. "Eles precisam de atenção e nós precisamos ter amor ao próximo", recomendou.

Busca por salário se tornou grata descoberta 

Foi na dificuldade que a dona de casa Marilza Ferreira, 51 anos, do Jardim das Nações, em Diadema, descobriu a profissão de agente de saúde.

Quando atravessou uma crise financeira na família, há quase dez anos, viu na carreira a possibilidade de desafogar o orçamento da família, comprometido após o marido e o filho perderem seus empregos.

Aos poucos Marilza identificou-se com função e hoje acumula visita em 247 casas do bairro onde cresceu.

As diferenças sociais entre as cidades são traduzidas em números. Enquanto a agente que atua no bairro de classe média em Santo André atende cinco grávidas, Marilza é responsável por monitorar as necessidades básicas de 30 gestantes. "E a maioria é de meninas."

Anos depois, mesmo com a crise superada, não abandonou a função. "Minha família até pediu, mas não quis parar. É gratificante e aprendemos a dar valor à vida. Vemos muitas pessoas doentes."

A praticidade também atraiu a ex-dona de casa, que não depende de transporte público e trabalha perto de casa. 

PERDAS
Saber lidar com a morte também é quase obrigação para os agentes. Na Vila Valparaíso, em Santo André, nove pessoas morreram nos últimos sete meses. Naturalmente, são presenças frequentes em velórios. "Há apego e desgaste emocional. Sofremos com a família", contou Maria Lúcia.

Cada agente é responsável por atender até 750 pessoas. No Grande ABC, com exceção de Rio Grande da Serra, são 2.259 profissionais.

Hoje o Programa de Saúde da Família atende a 44% da população do Grande ABC, o que representa 1,1 milhão de pessoas.

Cada equipe de Saúde da Família, que atende área de até 4.000 pessoas do bairro, é composta por um clínico-geral, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e até 12 agentes comunitários.

Quem não recebe assistência em casa, pode solicitar a inclusão no programa na unidade mais próxima.


FONTE: DIÁRIO DO GRANDE ABC.

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